Por Armando Abreu
A evolução da energia eólica no Brasil não tem sido muito diferente daquilo que aconteceu e acontece hoje, na Europa e nos USA. Nestes países, levou-se, no mínimo, vinte anos, para se atingir o nível de legislação e regulamentação atual. É frequente ouvir-se dizer que no Brasil é tudo mais lento. Não é verdade.
Não podemos esquecer que em 1995, iniciaram-se os processos de privatização do setor elétrico. O governo federal dividiu o setor em geração, transmissão e distribuição, tendo de lá para cá, privatizado a maior parte da distribuição, deixando a nova geração e transmissão, nas mãos dos privados.
Todo o ser humano é adverso a mudança, e no setor elétrico, não podia ser diferente. A resistência a entrada da energia eólica, na matriz energética brasileira, foi um processo natural, inicialmente por desconhecimento, posteriormente por ignorância, e mais recentemente por decisões políticas equivocadas.
Temos de concordar que o Proinfa, não foi um bom exemplo, em termos de critérios de seleção e de eficácia de implantação, embora eu considere um sucesso como política setorial. Este não tão bom exemplo, não ajudou muito a convencer o poder político da eficácia e da indispensabilidade da geração eólica, na matriz energética brasileira.
Mesmo com estudos e relatórios técnicos oficiais, mostrando e provando, a vantagem macro sistêmica da utilização da geração eólica, bem como as enormes vantagens financeiras, os nossos governos não acreditavam, e utilizavam quase sempre a desculpa “é muito cara”.
Com o nível de tarifas atingido, R$ 148,00 por MWh, no leilão de dezembro de 2009, a geração eólica, veio para patamares competitivos inimagináveis, capazes de competir de igual para igual com todas as outras formas de energia, mesmo a das grandes hídricas.
Não podemos esquecer, que todas as outras formas de energia são subsidiadas e os seus preços finais, maquiados das mais variadas formas.
Se colocarem todas as formas de geração, num mesmo patamar de competição, não tenho a menor dúvida que a geração eólica, pode competir e bater as outras formas de energia, tanto em preço, como em rapidez de implantação.
Mesmo assim, sem esta isonomia, a geração eólica mostra-se hoje, como uma foma de energia complementar, limpa e competitiva.
Falta agora, o governo federal, garantir uma continuidade de compra, através de leilões, ou outras formas de licitação, de no minimo 1.500 a 2.000 MW por ano. Com isto assegurado, não tenho a menor dúvida que a energia eólica é uma realidade atual e não mais uma promessa para o futuro.
ARMANDO ABREU
Diretor dos grupos Braselco e Martifer, especializados em energia eólica. Diretor da Ass. Brasileira de Energia Eólica
Fonte: O Povo Online / Economia