FaceBook twitter issuu LinkDin rss YouTube

notícia

Óleo de cozinha despejado na rede de esgoto pode virar combustível

     Cerca de 52 milhões de litros de óleo de cozinha são jogados, todo ano,
na rede de esgoto, o que equivale a 93% do total de óleo gerado na RMF. O
volume foi levantado por um estudo feito pela Universidade Federal do Ceará
(UFC) a pedido da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). A prática de
despejar óleo na rede de esgoto ocasiona constantes obstruções, provoca a
formação de detritos sólidos e incrustação nas paredes da tubulação, aumenta
do risco de poluição de cursos de água e eleva o custo final no tratamento
dos efluentes.
     Para resolver esses problemas, a Cagece e a UFC estão estudando o
aproveitamento de óleo de cozinha como matéria-prima para a geração de
biocombustível alternativo. Pelo projeto, o óleo residual de fritura seria
separado por filtragem para retirar as impurezas e misturado a óleos
provenientes da agricultura familiar na Usina de BioDiesel de Quixadá,
distante 167 km de Fortaleza. Com o óleo de fritura jogado hoje no esgoto
seria possível suprir e complementar em mais de 50% a necessidade atual de
insumos da Usina. A unidade de Quixadá pode processar até 108 milhões litros
de biodiesel por ano, mas trabalha com capacidade ociosa por falta de
matéria-prima. Além de diminuir os problemas na rede de esgoto, a ação
resolveria problemas ambientais e ainda iria gerar renda a famílias
cearenses.
     Segundo o estudo da Cagece, é possível obter até 4,7 milhões de litros
de óleo por mês na Região Metropolitana de Fortaleza, 65% destes só no
município de Fortaleza. Se vendido, o óleo tratado produzido na RMF poderia
movimentar até R$ 9 milhões por ano.
     Os resultados da análise, coordenado pelo professor Bosco Arruda,
indicam que mais de 46% do óleo gerado em residências em Fortaleza são
jogados no esgoto contra 18% da área comercial. A maior concentração da
geração de óleo por mês em cozinhas industriais provém dos seguintes
bairros: Centro, Meirelles e Aldeota, gerando, respectivamente, 44.162
litros (l), 42.975 l e 14.483 l. No setor residencial, destaca-se a alta
produção por mês na Granja Lisboa, com 117.624 l, e Aldeota, com 35.047 l.
Já os bairros com maior incidência de direcionamento do óleo residual para o
esgoto são Mondubim, Vila Velha, Barra do Ceará e Jangurussu, destinando,
respectivamente, 88.730 l, 38.956 l, 34.971L e 30.051 l à rede de esgoto.
Verifica-se então que o setor residencial produz mais óleo que o setor
comercial, necessitando de um extenso trabalho de educação ambiental e de
políticas de incentivo ao bom direcionamento do óleo residual.
     Segundo a Cagece, uma das formas mais viáveis e eficazes de
disponibilizar os volumes de óleo, para evitar a degradação do meio
ambiente, é criar bônus em contas de água dos produtores domiciliares
daquele óleo residual. O período de descarte deve ser quinzenal, feito
através de recipientes adequados e acessíveis, como garrafas pet.
     Para universalizar este procedimento, a Cagece e a UFC estão estudando
esquemas de coleta que envolvam associações de catadores, em políticas de
parceria e responsabilidade social. Uma ação de grande impacto pode ser a
injunção da Cagece junto às câmaras municipais no âmbito da RMF no sentido
de aprovar lei que incentive os cidadãos e empresários a transacionar ou
doar o óleo gerado.

Fonte: Cagepa

Delicious Stumbleupon Digg
adicionar outro amigo
você deve fazer seu login

comentários